segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Em The Pale Emperor Marlyn Manson reafirma sua identidade sombria e multi-facetada






A chegada de Born Villain em 2012 parecia ter deixado claro que a postura artística Marilyn Manson havia deixado escapar parte de sua faceta perturbadora tão característica ao longo da carreira. O próprio Manson explicou em entrevistas recentes que enxerga em seus dois últimos álbuns uma certa 'falta de foco'.
Ainda que o padrão de sua imagem tenha se tornado muitas vezes um problema, isto se torna totalmente irrelevante agora, já que The Pale Emperor (O Imperador Pálido) – título inspirado em Constantino, primeiro imperador romano a negar a existência de um Deus e também conhecido como "Constâncio, o pálido." -  me deixou positivamente surpreso.
Killing Strangers, a ótima canção que abre o álbum traz um aperitivo do que está por vir. Ainda que Manson tenha mantido a mesma abordagem de sempre, esvaziando-se do metal industrial fortemente presente nos trabalhos anteriores, este disco como um todo é basicamente o blues, isto se torna-se ainda mais contundente se nos atentarmos as três imperdíveis canções em versões acústicas presentes na edição deluxe: Day 3, Fated, Faithful, Fatal e Fall of The House of Death.
Liricamente falando, o álbum lida com assuntos diversos em excelentes canções: violência e guerra em Warship My Wreck, mortalidade em Birds of Hell Awaiting, Odds of Even e The Devil Beneath My Feet. A escravidão em Slave Only Dreams To Be King, religião em Third Day of a Seven Day Binge e Cupid Carries a Gun. Menções a mitologia grega em Deep Six, além de temas bíblicos na melancólia The Mephistopheles of Los Angeles, descrita por Manson como  "o coração do álbum", onde entoa: ''Lazarus got no dirt on me'' referindo-se a Lázaro, personagem bíblico pertencente ao livro de João, que era forçado a ler na escola cristã.
Encontra-se presente também alusão ao folclore alemão no que diz respeito a história de Fausto e Mefistófeles onde o cantor diz ser ele mesmo, pagando de volta um acordo que fez com si próprio para virar um rockstar.
'No one is exempt from the odds of even' (Ninguém está isento da possibilidade da igualdade) é a frase que encerra o The Pale Emperor, co-produzido por Tyler Bates. O álbum foi dedicado à Barbara Warner, mãe de Manson que morreu no dia 13 de maio de 2014, depois de uma batalha de oito anos contra o Alzheimer. Manson é realista, também sabe que vai precisar parar um dia, mas por enquanto ele prefere seguir em frente: 'Você tem que chutar as rodas e mantê-las rodando'...




sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Boyhood: Da Infância a Juventude / Resenha

Filme que levou 12 anos para ser concluído, conquista pelo simplicidade






Apesar de não ser algo inédito, o que mais impressiona em Boyhood: Da Infância a Juventude é o fato do longa ter levado 12 anos para ser rodado. O diretor Richard Linklater empenhou-se em acompanhar o crescimento do jovem Ellar Coltrane a partir de sua infância até a adolescência, dos 5 aos 18 anos de idade. O agradável filme trata justamente sobre isso, as várias fases da vida focadas em Mason (Ellar Coltrane), mas, ao mesmo tempo, acompanhando sua mãe (Patricia Arquette) divorciada de seu pai (Ethan Hawke) e sua irmã Samantha (Lorelei Linklater – filha do próprio diretor).

Uma dos aspectos mais evidentes do filme é a simplicidade que o mesmo carrega, mesmo tendo passando por um processo cronológico bastante extenso, Linklater se reuniu durante todos os anos por aproximadamente 3 ou 4 dias para gravar algumas cenas do filme, o que rendeu nada menos do que o equivalente a 39 dias de material. Por isso não importa que o resultado final tenha se resumido a quase três horas de filme, são 164 minutos que não se vê passar, ainda mais acompanhado por uma trilha sonora repleta de boas canções que vão de Pink Floyd a Black Keys e que custou quase metade do orçamento final.
As referencias a cultura pop como as febres das sagas Harry Potter e Crepúsculo da época, nos ajudam a nos localizar em que ano a história está acontecendo, já que não há aviso sobre a passagem de tempo.
Tudo corre diante de nossos olhos como se estivéssemos com um álbum de fotografias da família em mãos, onde costumamos parar por alguns momentos para explicar poses e contar histórias. “Tentamos ser o mais próximo possível da realidade” informou o diretor em uma coletiva. Se essa era sua intenção, então ele conseguiu. Tudo é muito natural (em certos momentos parece mais um documentário), incluindo as atuações, nada de exagero ou enrolação e muito menos aquele clima tedioso que nos obriga a olhar para o relógio de 15 em 15 minutos.
As experiências de Mason parecem ser clichês e banais: escola, padrastos, primeiro emprego, festas, namorada, hobbies, formatura e faculdade, mas são justamente estes simples acontecimentos que entregam a verdadeira essência do que realmente é Boyhoodfilme. Afinal não há grandes surpresas, de fato, volto a repetir: este é um filme simples, sobre vida de um garoto normal da infância a juventude.


EUA , 2014 - 163 minutos / Drama / Direção: Richard Linklater / Roteiro: Richard Linklater / Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater, Nick Krause, Sam Dillon, Evie Thompson.




sábado, 28 de junho de 2014

Misery (Louca Obsessão) - 1990

Uma das melhores adaptações de Stephen King para as telas tornou-se um dos meus favoritos


A interpretação da até então desconhecida Kathy Bates, rendeu um Oscar® de Melhor Atriz, assim como o Globo de Ouro.

É sempre bom ver e rever clássicos do cinema americano que de alguma forma ficaram gravados na memória de muitos por possuírem aspectos marcantes. Esta semana peguei a onda de ver vários deles, filmes que já eram do meu conhecimento mas que, no entanto, ainda não havia assistido, em especial os pertencentes do gênero thriller/suspense, que constituem meus favoritos. Acabei por descobrir o ótimo longa Misery (Louca Obsessão - em português).
1990 - 107 min. / EUA
O filme dirigido por Rob Reiner (Stand by Me) conta a história de Paul Sheldon (James Caan), um escritor veterano que sofre um acidente de carro causado por uma tempestade de neve em uma região isolada e então é encontrado e resgatado por uma uma ex-enfermeira que se identifica como sua fã número 1: possui todos os seus livros publicados e sabe tudo de cor e salteado, não só sobre suas obras mas também tudo sobre sua vida pessoal em minuciosos detalhes. Annie Wilkes (Kathy Bates) o acolhe em seu aconchegante e aparentemente tranquilo lar. Porém, a medida que recebe os cuidados necessários para se recuperar do péssimo estado em que se encontra, Paul passa a conhecer um lado sinistro e até então inimaginável de Wilkes. Sheldon que carregava consigo o seu mais novo livro resolve permitir que sua ‘generosa’ fã possa lê-lo antes mesmo de ser publicado. Mas, após descobrir que sua personagem favorita irá morrer ao final da história, Annie simplesmente surta e se transforma, colocando em evidencia uma personalidade totalmente obsessiva, sádica e descontroladoramente assustadora.

Impossibilitado de se deslocar normalmente e dependente de uma cadeira de rodas, Paul começa a enfrentar uma luta pela sobrevivência ali mesmo no quarto onde está confinado, tentando escapar das garras de Annie que se recusa a dar qualquer notícias sua a família e conhecidos, ao mesmo tempo o mantendo como refém e obrigando-o a reescrever sua história com um novo desfecho. A medida que os dias passam Paul passa a compreender quem realmente é aquela terrível mulher e quais são os motivos e eventos que configuram seu passado obscuro e assassino.
Baseado em uma das dezenas de obras do mestre Stephen King - um dos autores mais adaptados de todos os tempos -  Misery é tenso e com uma das melhores atuações dos últimos... sei lá, 1000 anos! Graças a Kathy Bates, posteriormente premiada com um merecidíssmo Oscar®. Suspense do começo até o último momento, este filmaço é diversão garantida e faz nos lembrar que todo fã é realmente um verdadeiro babaca.


Direção: Rob Reiner / Roteiro: William Goldman (baseado na obra de Stephen King) / Produção: Rob Reiner e Andrew Scheinmann, Steve Nicolaides e Jeffrey Stott (Co-produtores) / Elenco: James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth e Lauren Bacall.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

"O caos é uma ordem por decifrar"

"O que eu aqui proponho é que investiguemos a ordem que há no caos. O que, no tempo de hoje, que em muitos aspectos nos apresenta como caótico, eu creio que pode ser encontrado" - O trecho foi extraído de uma entrevista do escritor português José Saramago concedida a BBC no ano de 2002.

Escolhi como título desta postagem uma frase de autoria do próprio autor para que se possa refletir em seu real significado.
Semana passada como de costume, navegava tranquilamente pela internet em busca de novidades relacionadas a sétima arte, quando que para minha surpresa, acabei por descobrir o mais recente projeto de Denis Villeneuve - diretor do ótimo 'Os Suspeitos'- onde ele adapta para o cinema 'O Homem Duplicado', romance de Saramago publicado em 2002. Logo, achei interessante a ideia de um diretor canadense produzir um filme baseado em uma obra literária portuguesa, estrelado por um ótimo ator americano, Jake Gyllenhaal.
No entanto, ao perceber que ainda não havia tido o prazer de ler 'O Homem Duplicado' (Editora Companhia das Letras- 2008 /284 páginas) - tratei de procurar e baixar imediatamente a versão digital para dar início a minha voraz leitura antes mesmo de ver o filme.
No livro, o depressivo professor de história Tertuliano Máximo Afonso descobre, certo dia, que é um homem duplicado. Ao assistir um filme recomendado por um colega de profissão, ele se reconhece em outro corpo, idêntico ao dele próprio - um dos atores que aparece no filme é seu sósia. Os desdobramentos dessa história são imprevisíveis. Porém, o romance de José Saramago, nada tem a ver com clonagem ou outras experiências de laboratório. O que ele expõe é a perda da identidade numa sociedade que cultiva cada vez mais a individualidade, principalmente nas grandes metrópoles e, paradoxalmente, estabelece padrões estreitos de conduta e de aparência. Em 'O Homem Duplicado', José Saramago constrói uma ficção apoiada numa questão extremamente inquietante - a perda do eu no mundo globalizado. O livro é bem interessante, gostei do tema e das metáforas utilizadas. Tudo ainda hoje soa muito atual, afinal a tendencia individualista é cada vez mais crescente neste sistema.
Já o filme... - The Enemy (título original) - bem, como de costume, por se tratar uma adaptação vemos vários elementos modificados, inclusive o nome dos personagens, até porque tudo se passa no exato ano de produção: 2013, em St. James Townesde. Porém, a essência foi mantida, mas com alguns acréscimos como, por exemplo, a metáfora das aranhas (fêmeas manipuladoras) que permeia por todo o filme, e que só serão bem compreendidos depois que assistir ao filme com bastante destreza e atenção. Não irei entrar em detalhes sobre os personagens, referências ocultas e muito menos darei explicações sobre as mais variadas interpretações possíveis. Minha dica é, leia o livro!
Terminarei esta postagem com uma das frases contidas na abertura do livro pertencente ao escritor e clérigo anglicano Laurence Sterne e que contextualiza toda a obra em questão: “Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem.”

 Baixe o livro aqui em PDF

Assista ao trailer do filme:




sexta-feira, 7 de março de 2014

O Homem Venceu a Máquina


Remake acerta em cheio e questiona: 'O que faz de um homem um homem?'



Em 1987, o holandês Paul Verhoeven trazia ao cinemas o que viria a se tornar um dos maiores clássicos do gênero ação/policial não só da década de 80 como também de todos os tempos. Em Robocop, o policial Alex Murphy (Peter Weller) é assassinado e então revivido como um agente da lei meio humano e meio robô pela OCP para servir como uma arma implacável. Devido ao grande sucesso do primeiro filme, duas fraquissímas sequencias dirigidas por Irvin Kershner e  Fred Dekker em 1990 e 1993, respectivamente, foram lançadas sem qualquer intervenção de Verhoeven, deixando algo claro: O policial cibernético era uma criatura única e irreplicável.
Qual seria então a ideia certeira para um novo Robocop? O diretor carioca José Padilha tinha a resposta.  'Simples ' - disse ele, em uma reunião com os executivos -  'Estamos em 2028, e ninguém precisa mais pilotar os drones, os autômatos tomam suas próprias decisões. '

Na cena que abre o longa, vemos justamente esses robôs patrulhando o Teerã revistando homens mulheres e crianças ao mesmo tempo em que Bill O´Reilly (Samuel L. Jackson), um âncora da TV americana, pergunta ao vivo para milhões de americanos:  'Por que só aqui não se pode poupar a vida de policias e de militares dessa forma? Por que a América, afinal, é tão robofóbica? '
E é exatamente esse o eixo em torno do qual a trama se desenvolve: os americanos rejeitam a ideia de que um autômato possa decidir sobre a vida de uma pessoa, e só nos Estados Unidos isso acontece.
A OmniCorp, corporação que produz as máquinas, esta proibida de expandir seus negócios no maior mercado do mundo. Mas, quem sabe a população não mude de ideia se dentro de um autômato houvesse um homem, pensa Raymond Sellars (Michael Keaton) CEO da OmniCorp. Tal homem vem a ser Alex Murphy (Joel Kinnaman), depois de ser gravemente ferido e mutilado em um atentado.

As diferenças do longa com o original são claramente visíveis, comparar o Robocop do Padilha com o clássico que Verhoeven fez é pedir para se decepcionar: são filmes completamente diferentes. A premissa básica - a de Alex Murphy sendo fundido a um corpo cibernético para combater o crime - é a mesma. Mas Padilha bolou uma história em que a automação da polícia precisa de um rosto humano para ganhar a opinião pública.  Lidar com a perda de sua humanidade logo de cara é um dos conflitos mais interessantes do protagonista, que perde o livre arbítrio involuntariamente por conta da influência que a máquina exerce em seu cérebro. Logo, a busca pelo equilíbrio é o que impulsiona o filme de Padilha, que deixa claro que um remake para ser bom não precisa ser uma cópia.


segunda-feira, 3 de março de 2014

Herman Kock nos convida para jantar


Romance holandês de 2009, só chegou ao país ano passado e vai para Hollywood



Intrínseca - 2013 / 256 páginas - Thriller
Jantares em família são na maioria das vezes, ocasiões agradáveis que proporcionam bons momentos de descontração e agradáveis conversas triviais. Paul um ex-professor de História e Serge, uma conhecida figura pública, são dois irmãos que acompanhados por Claire e Babette, suas respectivas esposas, encontram-se em um refinado restaurante holandês para o que parece ser um simples encontro de casais. Na entanto, o que irá caracterizar o jantar não serão bons momentos em família. No decorrer da trama, os diálogos nos revelam que há algo mais a ser discutido durante um quente noite verão. Uma certa tensão cerca o ambiente de um modo que nos faz entender que Michael e seu primo Rick, os filhos adolescentes do casal, fizeram algo terrível, porém, não se sabe exatamente qual será o destino dos garotos. É perceptível ao longo na narrativa em primeira pessoa por Paul, pai de Michael, que tudo até o momento esta encoberto porém, qualquer deslize pode ser fatal. 
Como todo suspense que se preze, O jantar é tenso e amedrontador. A trama tem reviravoltas surpreendentes e os personagens que, apesar de serem poucos, são bem construídos. As cenas e os locais também são limitados, porém se encaixam perfeitamente no transcrever da história. O romance e best-seller (The Dinner - 2009) foi traduzido para 21 idiomas e uma adaptação para o cinema americano a ser dirigido por Cate Blanchett foi anunciado em 2013. 


O autor holandês Herman Cock, nascido 05 de setembro de 1953 é também ator e já escreveu contos e colunas.  Ele atuou por rádio, televisão e cinema e co-criou a série de TV de longa duração Jiskefet (1990-2005). Koch é casado com Amalia Rodriguez, e têm um filho, Pablo (1994).

Você pode comprar o livro (com desconto) aqui. Ou se preferir, leia on-line em pdf.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Capitão Phillips: Um drama real

 O primeiro trabalho do diretor Paul Greengrass desde Zona Verde.



Ok, já faz um tempinho... mas só agora venho trago aqui um breve resumo deste ótimo filme, o suspense biográfico e concorrente ao Oscar: Capitão Phillips. O longa adapta A Captain's Duty, livro escrito pelo Capitão Richard Phillips, que em 2009 teve seu cargueiro, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis. Tom Hanks interpreta Phillips, que embarca no cargueiro MV Maersk Alabama no porto de Omã e inicia sua viagem através do Golfo de Áden rumo a Mombaça, no Quênia. Ciente das recentes atividades de piratas na costa da Somália, ele toma medidas para aumentar a segurança do navio até que, durante um exercício de segurança, Phillips detecta duas lanchas se aproximando rapidamente do navio.
Abduwali e três companheiros somalianos (Najee (Faysal Ahmed), Elmi (Mahat M. Ali) e Hufan (Issak Farah Samatar)) tentam invadir o navio a todo custo.  O capitão e sua equipe tentam de tudo para repeli-los, mas os piratas conseguem subir a bordo da embarcação. 

Uma vez no navio, os piratas exigem o dinheiro do cofre e as mercadorias dos contêineres. Phillips, feito refém pelos bandidos, tenta negociar com eles para ganhar tempo até que o resgate venha. A tripulação então propõe uma troca de reféns e cede uma baleeira para que o bando fuja. Porém, a quadrilha consegue sequestrar Phillips e o leva com a baleeira, esperando trocá-lo por um resgate.

A partir daí começa uma tensa operação que mistura suspense e ação, caracterizada pela excelente atuação de Tom Hanks (destaque para a última cena) o que resulta  num produto de altíssimo nível, com boas atuações, construção técnica impecável e uma articulação inteligente entre estética e temática, capaz de dialogar tanto com o grande público quanto com a crítica.








sábado, 26 de outubro de 2013

Os Suspeitos | Resenha

Investigação e dilema moral são temáticas do melhor suspense do ano



Vi o filme em sua estreia, sexta passada. Já devia ter escrito algo por aqui na verdade, mas aí eu fui deixando, deixando... e aqui estamos nós. Vou fazer esse post numa linguagem bem pessoal e descontraída, porque este se trata de um filme que me agradou muito e há muito tempo... bem, há um bom tempo mesmo, não via um thriller de tamanha qualidade.

A começar pelo elenco: Hugh Jackman (em sua melhor atuação do cinema até agora), Jake Gyllenhaal (realizando um de seus melhores trabalhos, tão bom quanto em Zodíaco) e Paul Dano que, cá entre nós dispensa elogios, ele é o melhor ator que mal fala. Sem contar com outras grandes performances de Viola Davis, Maria Bello, Terrence Howard e Melissa Leo.

O diretor canadense Denis Villeneuve, em seu primeiro trabalho nos Estados Unidos, impressiona por manter sua qualidade autoral e ao mesmo tempo entregar um produto digno dos grandes suspenses modernos de Hollywood.
Na trama, escrita por Aaron Guzikowski , depois de ter sua filha de seis anos de idade e uma amiga dela sequestradas, Keller Dove (Hugh Jackman), um carpinteiro de Boston, enfrenta o departamento de polícia e o jovem detetive (Jake Gyllenhaal) encarregado do caso, para fazer justiça com as próprias mãos. No papel do principal suspeito está Paul Dano que, como já mencionado, é um dos melhores atores de sua geração.
Em Os Suspeitos (The Prisioners), um dos elementos principais é apresentar o drama e aflição dos pais que veem o relógio correr enquanto suas filhas estão desaparecidas.

Desde a cena da abertura, os temas que serão explorados ao longo do filme são bem apresentados. Convicções religiosas e tensão se misturam ao desenrolar da história. As duas horas e meia (que para mim soaram como poucos minutos) valorizam e criam o espaçamento perfeito para a total compreensão dos fatos.
As histórias do pai e do detetive, ambos em sua espiral de obsessão, vão se alternando a medida que pistas concretas são apresentadas a todo instante, o que mantém você preso na poltrona e presenciando não apenas o mistério do sumiço das meninas, mas também com os dilemas morais de seus pais.
O que me fez gostar tanto de Os Suspeitos? Bem, são duas horas e meia que funcionam perfeitamente, a reviravolta é louca e você não vai adivinhar até que tudo termine. Além de tudo, é um filme que faz você questionar sua moral... te faz pensar e refletir em várias coisas de que seríamos ou não capazes de fazer. Seus limites. Sua devoção. Seu controle.





sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Gravidade | Resenha

Suspense espacial explora fragilidade e tenacidade humana



Solidão, fragilidade e autocontrole. Essas três palavras resumem muito bem o tão aguardado suspense espacial de Alfonso Cuarón: Gravidade, que se passa na orbita terrestre a 600 km de altura.
A história superficialmente é bem simples: Uma equipe de astronautas e cientistas instalam novas partes no telescópio Hubble quando chega o alerta: um satélite russo explodiu e uma nuvem de detritos esta chegando em alta velocidade . Em minutos, toda a segurança da nave se vai - e restam apenas a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o comandante da missão, Matt Kowalsky (George Clooney), indefesos vagando pelo espaço.
A partir daí, começa uma luta para sobrevivência e tome visuais de tirar o fôlego (especialmente em 3D), explosões em gravidade zero e longos e aflitivos planos sem cortes que passeiam de dentro para fora dos capacetes dos personagens enquanto eles discutem sua situação.

Gravidade é um paraíso técnico. A alternância entre som e silêncio amplifica o drama e a trilha sonora aflitiva de Steven Price entra apenas em momentos cruciais. A animação (o filme é quase que todo em computação gráfica) é perfeita e realista e a tensão é absolutamente constante, já que não há momentos em que é possível respirar e recuperar o folego. E Bullock dá um show como a astronauta novata que já perdeu tudo, mas que decide viver. Há cenas de beleza intensa e grande significado, como os "renascimentos" da Dra. Stone, especialmente o primeiro, em que a vemos pela primeira vez como mulher, como humana, indefesa fora da casca protetora do uniforme de astronauta. Nas lágrimas sem gravidade, Cuarón aprecia a beleza da fragilidade humana - e sua tenacidade.

Gravity, EUA/ING, 2013 Diretor: Alfonso Cuarón Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, George Clooney (não creditado) Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Basher Savage, Eric Michels, Ed Harris Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman Fotografia: Emmanuel Lubezki Trilha Sonora: Steven Price Duração: 90 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Heyday Films / Reality Media / Warner Bros. Pictures


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mechanical Bull (Álbum) | Resenha

Quarteto não se reinventa e continua na mesmice



Afinal de contas, porque você ainda ouve Kings Of Leon? Por pura nostalgia ou porque ainda acredita que a banda seja inovadora?  Mechanical Bull (2013, RCA) é o sexto registro em estúdio do quarteto de Nashville, Tennessee, ou, se você preferir, a primeira coletânea de sobras de estúdio apresentada pela banda. O disco não passa de um catálogo de temas e sons reaproveitados.
Se sua esperança era que viesse um disco tão bom quanto os primeiros, sinto lhe informar, mas isso não vai acontecer. E por vários e bons motivos...
Nos anos 2000 juntamente com uma avalanche de grupos indie, o KOL (uma espécie de cópia do The Strokes) adotou uma falsa ideia de inovação que muita gente engoliu goela abaixo, ao vestir camisa xadrez e um chápeu de cowboy. Se olharmos  com atenção para a discografia do grupo ao longo de todos esses anos chegaremos a conclusão de que nada do que eles produziram até o momento representa verdadeiramente o ineditismo.
Já reparou em como as outras bandas que cercam o KOL foram em busca de mudanças nos últimos anos? Os Strokes buscaram a new-wave dos anos 80. Arctic Monkeys buscou o Soul e o R&B até o Coldplay o eletrônico... Tudo bem que, mudanças nem sempre são bem vindas. Mas veja que, enquanto isso, os irmãos de Nashville nunca foram além daquele velho e batido garage cowntry que aborda sempre os mesmos temas: sujeitos deslocados que cheiram álcool e estão sempre a procura de alguém/ou algum lugar.
O disco tem ótimas melodias, sim, é verdade... mas se isso fosse sinônimo de acerto, ouvir jingles radiofônicos seria suficiente para nossa sobrevivência cultural. Fica evidente neste novo trabalho a incapacidade do grupo de seguir adiante dentro da própria estética.
Eu gostei de Mechanical Bull... sério. Mas deixando o fanatismo de lado, nota-se o quanto cada faixa do disco busca emular o mesmo sentimento dos álbuns anteriores. Ou seja, tudo isso que você  está ouvindo, você já ouviu antes.






sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Keaton, Kilmer, Clooney e Bale: veja quem já foi Batman do cinema

Ben Affleck foi anunciado na quinta-feira (22) como novo intérprete do herói.



Não teve jeito. Não se falou em nenhuma outra coisa durante esta sexta feira a não ser na contratação de Ben Affleck para viver o novo Batman no cinema. Ele interpretará Bruce Wayne na sequência de O Homem de Aço, filme que colocará frente a frente o Cavaleiro das Trevas contra o Superman. A escolha gerou controvérsias entre os fãs que, em sua maioria, não aprovaram a escolha do ator. A repercussão na internet através das redes sociais foi gigantesca! O filme está previsto para julho 2015. Affleck é o quinto ator a viver o homem-morcego no cinema. Portanto, veja abaixo quem foram seus antecessores.



Michael Keaton foi considerado uma escolha relativamente ousada quando convocado a interpretar o herói, no final dos anos 1980. Na época, o ator era conhecido por seus trabalhos cômicos, caso do Beetlejuice de 'Os fantasmas se divertem' (1988). Ainda assim foi escalado pelo cineasta (e parceiro) Tim Burton para 'Batman' (1989). Deu certo: o filme faturou US$ 411 milhões (valor bastante alto, para a época) e rendeu sequência, 'Batman – O retorno' (1992), novamente com a dupla Burton & Keaton.


 O segundo ator a encarnar o homem-morcego foi Val Kilmer, que assumiu o herói da DC Comics em 'Batman eternamente' (1995), de Joel Schumacher. Antes, Kilmer já tinha sido Jim Morrison, o líder da banda The Doors, na cinebiografia dirigida por Oliver Stone, e feito participação em 'Top Gun' (1986). Dado que foi substituído dois anos depois, Kilmer parece não ter sido aprovado como o homem-morcego neste projeto em que os tons escuros da adaptação de Tim Burton deram lugar a muitas cores e efeitos visuais.


A versão de George Clooney sobressaiu por um detalhe da fantasia do herói: os mamilos aparentes. Clooney já era um galã estabelecido quando viveu o herói em 'Batman & Robin' (1997), novamente com o diretor Joel Schumacher à frente – e novamente bastante colorida. Naquele ponto da carreira, o ator tinha trabalhado em 'Um drink no inferno' (1996) e nas séries 'Friends' e 'Plantão médico'. 'Batman & Robin' arrecadou US$ 238 milhões, mas Schumacher abandonou a franquia, e Clooney nunca mais voltou.



Christian Bale é o mais recente Batman do cinema. Trata-se de um recordista: ninguém assumiu mais vezes o personagem do que o ator galês. Atuou em 'Batman begins' (2005), 'Batman – O cavaleiro das trevas' (2008) e 'Batman: O cavaleiro das trevas ressurge' (2012). Como o mais atormentado de todos os 'Bruce Waynes/Batmans', está a serviço do projeto de Christopher Nolan, o diretor da trilogia. A ideia é aplicar temas sérios (política, crise econônima, terrorismo, ecologia...) à fantasia dos quadrinhos.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O Homem de Aço | Resenha


Espetáculo visual vem carregado para mostrar quem é o novo Superman


Man of Steel, EUA/Canadá/Inglaterra, 2013. Direção: Zack Snyder. Roteiro: David S. Goyer, baseado em uma história de Goyer e Christopher Nolan e nos personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster. Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, Russell Crowe, Christopher Meloni, Kevin Costner, Antje Traue, Harry Lennix, Richard Schiff, Ayelet Zurer, Cooper Timberline, Dylan Sprayberry, Laurence Fishburne. Duração: 143 min.



O que pode ser mais tocante do que um alienígena, que tem a formação longe de suas raízes, pais e sociedade, percorrendo o globo atrás de sua verdadeira natureza? Uma busca existencial que supostamente nunca terá fim, porém, tão pertinente quanto à gênese humana e sua ciência. “Eu não quero ser”, afirma o personagem construído de forma talentosa por Henry Cavill quando seus pais apontam o que há de especial nele e o que se espera de seus talentos. Kal-El vive perdido entre dois mundos: a sua inalcançável civilização e o que poderia ter vivido com seus pais biológicos, que agora é apenas um sintoma em sua genética, e sua vivência terrena com os pais adotivos que geraram a sua fé e condição humana.

Essa dicotomia, de homem e sua natureza, não é exclusiva do pensamento do protagonista do filme, tampouco; Kripton é um lugar habitacional mágico e aspirado – onde as pessoas daquele lugar encontraram um equilíbrio entre vida, tecnologia e ambiente natural. Os efeitos especiais utilizados no primeiro ato são complementares a essa filosofia. O grande obstáculo de Kripton está exatamente no que foi criado: o máximo que havia sido alcançado. Passou a ser um lugar em que o estado de buscar passou a ser o estado de ser. Não existiam mais pessoas que poderiam mudar algo que não havia como ser mudado, apenas classes pré-fabricadas e automatizadas, sem a vida como a conhecemos. Sob esta ótica, Zod acreditou que apenas um golpe de estado devolveria uma clareza para Kripton sobre as coisas e um novo direcionamento – algo censurável, claro, mas que deu início a muitas “revoluções”. O general é um robô, não é natural, foi “esculpido” para ser uma espécie de guardião de seu planeta. Shannon esbraveja por seu povo, queima populações para chegar a uma nova raça e só descansará de seu código quando abraçar a morte. Jor-El é exatamente seu oposto. Mais “humano”, ele também acredita que Kripton está chegando ao seu fim, mas ambiciona uma nova era – “nunca o veremos andar, mas nossas esperanças e sonhos vão com você”. O sonho do general explode junto com seu planeta, o de um pai está percorrendo um novo caminho.


Kal-El é uma soma benéfica de duas diferentes raças. Obteve a sorte de cair em uma fazenda e ter pais adotivos que lhe formassem um caráter humilde, assim como o seu pai verdadeiro desejaria. Ele passa a descobrir seus poderes aos poucos, salvando, inclusive, seus próprios agressores do colégio em um desastre. Para ele, como lhe foi ensinado, qualquer vida é digna. “O mundo é muito grande? Faça-o pequeno!”. Os flashbacks de sua infância resgatados pelo montador David Brenner também são suficientemente eficientes para mostrar essa dubiedade nos sentimentos de nosso protagonista e apontar o porquê de estar naquela busca. Kevin Costner, por exemplo, é tão edificante para quem viria a ser o Superman como o próprio Jor-El. Ele não pestaneja em salvar qualquer tipo de vida (aliás, um parêntese curioso para a retomada da saga) e se sacrifica pelo próprio filho – e aqui cabe ressaltar dois diálogos intimistas em que o ator transborda sentimentos: em passar que talvez ele devesse deixar pessoas morrerem e que Clark é o seu filho.

Por outro lado, esse argumento social e humano se perde no instante em que Snyder começa a fazer esforços para cumprir o orçamento milionário que tem em mãos, como denuncia o literalmente explosivo terceiro ato. Dono de cortes tão rápidos que a ação fica quase impossível de ser conferida e usando da mesma escola de Abrams ao conferir flares e brilho que fariam a Enterprise empalidecer a todo o momento na trama, o diretor avança rápido demais na construção de alguns relacionamentos e abusa novamente em tratar Superman como um salvador católico. Kal-El tem trinta e três anos, posiciona-se como se estivesse crucificado assim que ouve que pode salva
r todos os humanos e tenta se passar por um deles. O seu relacionamento com Lois passa a ser plausível apenas por uma questão de confiança e conhecimento prévio da história original – Kal-El encontra na personagem uma força feminina gigantesca, mesmo que ela pareça pequena quando está com ele, não fazendo jus a esse fator. O beijo trocado por ambos nasce tão robotizado e sem significado quanto uma vida nova surgia na Kripton que conhecemos. E, se a fotografia de Amir Mokri só dá lugar ao branco intenso e ofuscante, a trilha sonora de Zimmer é mais uma vez digna de aplausos a balancear cada momento vivido pelo personagem e não deve em nada para a trilha que Williams imortalizou.

Ainda, é notável a insegurança que Snyder possui em trazer uma trama menos explosiva e mais intimista para um filme que conta com um homem imbatível. E é por isso que ressalvo a escolha dele para um retorno à saga do Superman. O charme de O Homem de Aço não está na força de seu personagem, mas em sua dinâmica sentimental: como alguém imbatível pode ser dono de uma solidão eterna? Ele está buscando o seu lugar ao mundo, forçando-se a se adaptar a um sistema que já está pronto – como todos nós fazemos e como as coisas eram arranjadas em Kripton. O coronel do ótimo Christopher Meloni tem a mesma vocação do general de Shannon, ambos apenas pensam em defender os seus povos e suas raízes – sacrificando-se por elas em seus percursos. Não se pode dizer que não é um começo pretensioso e potencialmente bom para o herói, mas certamente não se pode jogar tudo fora apenas para corresponder às expectativas de um público que apenas quer ver sangue. Isso já é comum em nossa própria realidade.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Universidade Monstros | Resenha

Saudosismo marca o retorno ao passado e aos dias de Mike Wazowski e Jimmy Sullivan como universitários


Parece que foi ontem... Lembro-me de ir ao cinema por volta dos 7 anos juntamente com meu tio para ver uma simples animação infantil da Disney. No entanto, após aquela sessão, minha mente ficou marcada por umas das mais brilhantes animações já desenvolvidas, Monstros S.A! Agora, doze anos depois, uma  sequência genial chega as telonas: Universidade Monstros.
A trama mostra as origens da dupla que, em sua fase adulta, é a campeã em sustos da companhia de energia da cidade de Monstrópolis. O pequeno Mike Wazowski (Billy Crystal) é um sonhador e esforçado monstrinho que quer ser um grande assustador. Para isso, ele deve cursar uma das melhores faculdades no quesito sustos: a Universidade Monstros.
Assim como de costume nos filmes da Pixar, Universidade Monstros não é feito só para divertir, mas aprofunda-se em questões sociais e morais. Quando o estudioso Mike topa com popular Jimmy Sullivan (John Goodman), filho de um grande assustador que já chega ao campus com uma certa reputação, fica claro que, para a amizade começar a tomar forma, algo precisa mudar. Por ser um curso extremamente concorrido, é muito difícil ser bem sucedido no programa de sustos. A severa diretora Hardscrabble (Helen Mirren) exige de seus alunos uma mistura de talento nato e conhecimento técnico, algo que nem Mike nem Sullivan têm por completo. Resta recorrer aos Jogos de Susto, competição anual que premia a fraternidade mais assustadora da Universidade Monstros.
Dentre inúmeras fraternidades, nenhuma das quais aceitará os renegados, eles encontram a Oosma Kappa (OK). Formada somente por deslocados e esquisitos que também foram reprovados no Programa de Sustos, a OK precisa de apenas mais dois integrantes para participar dos jogos. Está formado, então, o grupo que tem de tudo para perder a competição.
É possível prever que o filme mostrará apenas vitórias para a adorável OK e seus membros. No entanto, enquanto Mike e Sullivan não se entendem e colaboram um com o outro, explorando suas habilidades e expondo suas fraquezas para que essas sejam repostas por algum colega, nada funciona. E é aí que entra a primeira lição de Universidade Monstros, que institui a importância do trabalho em equipe.
Em um momento no qual o avanço tecnológico parece ser mais importante que roteiro e construção de personagens, é confortante saber que ainda há uma certa preocupação com o enrendo. A Pixar mantém seu selo de qualidade, dá foco e estabelece uma gratificante meta final, que acerta no desenvolvimento da trama e da narrativa. Abordando temas como bullying, superação de obstáculos e o valor dos estudos sem ser cafona, o estúdio faz de Universidade Monstros um filme convidativo a adultos e crianças de todas as idades, que conseguem se indentificar com os personagens e formar paralelos com suas próprias vidas. O maior acerto de Universidade Monstros é provar que existem inúmeros finais felizes ao longo de uma vida.
Um prelúdio a Monstros S.A. não era esperado. Após os últimos momentos do filme de 2001, que deixa pendente um reencontro entre Sulley e Boo, seria óbvio mostrar uma possível amizade entre o monstro azul e a criança. Mas a Pixar foi inteligente demias ao manter íntimo aquele momento único, nos mostrando que voltar ao passado e apreciar mais a história da amizade entre a bola verde e o grandalhão azul expande de forma inteligente o universo que conhecemos dez anos atrás. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Finalmente para o Alto (e Avante)!


O que vem fazendo o Homem de Aço um dos melhores filmes do gênero




Aceito o desafio, Zack Snyder, diretor de 300, Watchmen e Madrugada dos Mortos, dirigiu O Homem de Aço (The Man of Steel), o novo filme do maior super-herói da DC Comics, Superman. A adaptação foi escrita por David Goyer baseada em uma história que ele criou com Christopher Nolan,  produtor do filme. Thomas Tull e Lloyd Phillips são os produtores executivos. Charles Roven, Emma Thomas, Nolan e Deborah Snyder são os produtores do filme. No elenco estão Henry Cavill (Superman), Diane Lane (Martha Kent), Amy Adams (Lois Lane), Michael Shannon (General Zod), Kevin Costner (Jonathan Kent), Ayelet Zurer (Lara-El), Russell Crowe (Jor-El), Harry Lennix (General Swanwick), Lawrence Fishburne (Perry White) e Christopher Meloni.

Na trama, Clark Kent/Kal-El (Henry Cavill) é um jornalista de vinte e poucos anos que se sente alienado por poderes além da imaginação. Transportado de Krypton (um planeta alienígena avançado) para a Terra anos atrás, Clark se pergunta “Por que estou aqui?”. Moldado pelos valores de seus pais adotivos Martha (Diane Lane) e Jonathan Kent (Kevin Costner), Clark logo descobre que ter super-habilidades significa tomar decisões extremamente difíceis. E quando o mundo é atacado, Clark deve se tornar o herói conhecido como “Superman”, não só para brilhar como o último raio de esperança, mas para proteger aqueles que ama.

Não é difícil bater os olhos em Henry Cavill e visualizá-lo com capa vermelha e o peito estampado pelo emblema do super-herói que ele encarnará nos cinemas a partir do dia 12 de julho, quando estreia O Homem de Aço. Alto, imponente – mas ao mesmo tempo doce e gentil –, ele tem todas as características do jovem tímido que só quer ajudar o próximo e, ao mesmo tempo, do herói forte que defende os valores dos Estados Unidos – exceto pelo fato de ser britânico.

Enquanto a DC Comics segue tropeçando nas novas HQs do personagem, é o cinema que consegue, novamente, explicar o que o Superman deveria representar. O mais velho super-herói, que muitos consideram datado e chato, chega reformulado como um defensor relutante do planeta, alguém tão confuso quanto seus habitantes, mas personificando a esperança de um futuro melhor - mesmo que, para isso, tenha que sujar as mãos.

O Homem de Aço estreia em 12 de julho no Brasil.


domingo, 16 de junho de 2013

...Like Clockwork - Queens of the Stone Age


Experiência sinistra e complexidade dão tom ao aguardado e estrelado disco dos reis do stoner rock.




QOTSA em sua atual formação



Ao ouvir pela primeira vez vai soar confuso, estranho e poluído. Mas com tempo suficiente seu cérebro irá se acostumar com os ritmos e riffs nada convencionais que permitirá a revelação de uma quantidade incrível de detalhes. Estamos falando das cancões de Josh Homme, mais especificamente do novo  álbum da banda californiana Queens of the Stone Age, ...Like Clockwork. 

EUA, 2013 / Rock Matador Records
O disco que chegou as lojas 4 de junho é o primeiro de ineditas desde Lullabies to Paralyze de 2007. Para Homme o intervalo de quase seis anos foi marcado por pontos altos na carreira como a formação do supergrupo Them Crooked Vultures e a produção do Arctic Monkeys. Quando a inspiração tomava forma, um evento revirou seu mundo: durante uma cirurgia no joelho, ele teve complicações e “morreu por alguns minutos” no hospital. Essa tragédia pessoal afetou o ambiente do sexto disco de sua banda, uma peça cheia de nuances sombrias, psicóticas e paisagens borradas por narcóticos pesados. “Keep Your Eyes Peeled” abre o disco com um riff grave e sinistro. O tom sobe em “I Sat by the Ocean”, com levada despretensiosa carregada por um slide guitar saboroso, mas uma nuvem negra desce em “The Vampyre of Time and Memory”. 

A lista de colaboradores é a mais estrelada da discografia: Na sensual “If a Had a Tail”, Homme acolhe o velho parceiro Nick Oliveri, e tem ainda a ajuda do pupilo Alex Turner (Arctic Monkeys) e da esposa, Brody Dalle (The Distillers e Spinerette). Dave Grohl comanda a bateria (reeditando a parceria do cultuado Songs for the Deaf) Trent Reznor (Nine Inch Nails) em “Kalopsia” e Mark Lanegan e Elton John com seu piano elegante na faixa“Fairweather Friends” são outros ilustres que aparecem aqui.

As músicas da banda sempre tiveram quê de sombrio e caótico, mas poucas vezes esses lados estiveram tão presentes de uma só vez. O disco parece uma viagem pela mente de uma pessoa que está a beira de perder sua sanidade. ..Like Clockwork não é um álbum fácil de se gostar, mas o tempo e a paciência fazem suas canções se desabrocharem na qualidade e competência que se espera de um dos maiores nomes do rock na atualidade.

Aperte o play e ouça agora:

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

As Aventuras de Pi - Crítica



Ang Lee desenvolve uma adaptação visualmente incrível em história cheia de simbolismos




Cada detalhe da saga do menino Piscine Molitor "Pi" Patel é descrito nos mínimos detalhes. Há dois narradores, o próprio Pi (que explica a origem de seu nome, inspirada em uma luxuosa piscina pública francesa e o apelido que ele tanto lutou para "pegar") e um escritor, que fica sabendo da saga deste menino que se mudava de navio da Índia para o Canadá quando uma tempestade afunda a embarcação, deixando-o à deriva em um bote, com uma zebra, uma hiena, um orangotango e Richard Parker, um tigre de bengala. 
Coube ao chinês Ang Lee o trabalho de criar para as telonas os cenários fantásticos descritos pelo protagonista ao curioso e incrédulo escritor. Peixes voadores e ilhas desertas servem para recarregar, de tempos em tempos, a esperança de quem está em algum ponto qualquer do Oceano Pacifico acompanhado pelo tal felino de belas listras e dentes afiados.
Quase que inteiramente rodado dentro de um estúdio, que possibilita a criação de um mar infinito e que, por inúmeras vezes, se confunde com o céu, o filme é de uma beleza ímpar.
A relação de Pi com Richard Parker, que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. Sobre o tigre, é preciso dizer também que é impressionante o grau de realismo do animal, que foi recriado digitalmente em quase todo o filme. É um trabalho de captura de performance e estudo da movimentação do animal tão real quanto o conseguido em O Planeta dos Macacos - A Origem, fruto do trabalho da Rhythm & Hues Studios, a mesma que criou o leão de Nárnia.
Todo este esmero digital e a boa utilização do 3D nos leva a uma imersão completa também nos cinemas. O final, porém, me pareceu simplista demais em comparação ao livro. Em ambos a temática religiosa explicitada no início da história é trazida de volta, mas enquanto o livro aponta de forma bastante gráfica uma inesperada mudança de rumos, o filme prefere manter isso apenas no diálogo, enfraquecendo a moral da história.

domingo, 14 de outubro de 2012

Rolling Stones divulga sua primeira música inédita em sete anos - ouça "Doom and Gloom"


Faixa estará na coletânia Grrr!

Os Rolling Stones divulgaram sua primeira música inédita em sete anos, intitulada 'Doom and Gloom' (Tristeza e Melancolia). Ouça e acompanhe a letra.


A faixa estará na coletânea Grrr!, que, além dos grandes sucessos da carreira da banda, trará duas inéditas, "Doom and Gloom" e "One Last Shot", ambas gravadas em Paris, durante a estada do grupo pela capital francesa no mês passado. A coletânea - que sai em 12 de novembro e comemora os 50 anos dos Rolling Stones - será disponibilizada em cinco formatos diferentes, que variam de cópias digitais e edições especiais triplas em vinil.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge | A Crítica



Gustavo Nazo
10 de agosto de 2012


Ao fim de Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) a grande dúvida era, como superar aquilo? Além de muita ação e uma trama impecável, o segundo filme dirigido por Christopher Nolan dentro do universo do Homem-Morcego tinha ainda a melhor interpretação já feita para o Coringa (Heath Ledger), capaz de colocá-lo no olimpo dos vilões. A saída criada por Chris, seu irmão Jonathan Nolan   e o co-roteirista David Goyer foi trazer para as telas o personagem responsável por quebrar o herói nas histórias em quadrinhos, Bane (Tom Hardy).
Pessoalmente nunca fui fã do vilão, criado pela oportunidade mercadológica de desbancar um de seus maiores ícones e assim vender mais gibis - saída que já havia sido utilizada pela mesma DC Comics com Doomsday, inventado meses antes para matar o Superman. Piorou a minha relação com ele quando Joel Schumacher o colocou em Batman & Robin (1997), em uma versão inflável, descerebrada e totalmente descartável (que ainda atormenta meus piores pesadelos). Mas, como dizem os fãs, "In Nolan We Trust" (no Nolan, nós confiamos). Já na primeira cena do filme vemos um sujeito enorme e frio, que tem todos os movimentos calculados como um bom enxadrista e impõe nos seus oponentes o mesmo medo que o Batman conseguiu espalhar pelo submundo de Gotham City.
Seus motivos vão ficar mais claros com o desenrolar da trama, que apresenta ainda três novos personagens: o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), a magnata filantropa Miranda Tate (Marion Cotillard) e a gatuna Selina Kyle (Anne Hathaway). Sexy, ágil e dissimulada como a ladra de joias, Anne Hathaway se mostra capaz de fazer muito marmanjo esquecer a lambida que Michelle Pfeiffer deu em Michael Keaton no segundo batfilme dirigido por Tim Burton. Já Gordon-Levitt engrossa a voz, ganha peso e cara de homem, e comprova a posição alcançada em A Origem, como potencial astro de filmes de ação - com a vantagem de ainda saber atuar. Quem sai no prejuízo é Cotillard, que surge como o ponto fraco do elenco, com atuação muito aquém de sua já reconhecida e premiada capacidade.
Outra novidade, desta vez entre os veículos, é a aparição do Morcego, uma espécie de Tumbler voador. Sua agilidade no ar é comparável com a capacidade de luta do Batman e o poder de seus motores é ensurdecedor. Apesar de preferir usar efeitos práticos, Nolan prova nestas cenas que domina também a computação gráfica, com uma perseguição aérea entre os prédios de Gotham City digna de qualquer filme de super-herói voador. E o efeito IMAX - a imersão na gigantesca tela, com sequências filmadas em película 70mm - faz o resto. Se em Batman - O Cavaleiro das Trevas as seis sequências (28 minutos) IMAX se destacavam quando entravam em ação, neste novo filme, com quase metade de seus 164 minutos de duração no formato, as transições ficam menos visíveis e, consequentemente, temos um motivo de dispersão a menos com que nos preocupar.
Quem também tem pouco com o que se preocupar durante todo o arco inicial é o Comissário Gordon (Gary Oldman). Depois da morte de Harvey Dent - no desfecho de O Cavaleiro das Trevas - Gotham vive dias de paz, mas sua consciência o perturba. O Batman assumiu a morte do ex-promotor e virou alvo da polícia local e Gordon tratou de esconder o fato de que Dent havia se transformado no Duas-Caras, mantendo assim sua figura imaculada. A maior consequência disso é uma lei que praticamente zerou a criminalidade no local e levou o Batman à reclusão.
Cabe então a Bane trazer novamente o caos à cidade.
A trama toda se desenvolve de forma linear e é detalhadamente explicada, com direito a vilão fazendo pausa antes de seu ato final para contar ao herói os motivos que o levaram até aquele ponto - algo digno da série dos anos 60 estrelada por Adam West e Burt Ward, acredite! E entenda isso como uma homenagem, assim como a citação de outros personagens conhecidos dos leitores dos quadrinhos do herói mascarado. É a desforra dos Nolan contra os que sempre diziam que sua Gotham era muito distante da vista nas páginas mensais das revistas.

Mais do que um filme

Encarar Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) apenas como mais um filme, tirando-o do contexto da trilogia seria um desserviço à história do cinema. Se ele é melhor ou pior do que Batman Begins ou Batman - O Cavaleiro das Trevas, pouco importa agora e cada um vai julgar à sua maneira. O que precisa ser notado e elogiado de forma incessante é a forma como ele encerra magistralmente a série, fazendo referências a falas e pensamentos que foram proferidos há 7 anos, na estreia do primeiro longa.
Se não fosse também a trilha incessante de Hans Zimmer, principalmente no segundo e terceiro filmes, não seria tão impactante o silêncio que norteia a sinfonia de socos e chutes esmagando carne e ossos, na luta mais tensa (e intensa) de toda a trilogia, quando o Batman acha alguém à sua altura técnica e a cabeça no lugar, cenário perfeito para enfrentá-lo e, quem sabe, derrotá-lo. E se isso acontecer, tudo bem, porque como dizia e repetia Alfred (Michael Caine) desde que Bruce Wayne ainda tinha seus pais, é preciso cair para aprender a se levantar.

Ver Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge vai trazer aos rostos dos fãs mais sorrisos do que o gás do Coringa, mas assistir à trilogia completa vai além. É um combustível que vai manter o batsinal funcionando por muito tempo, quer aconteça ou não o futuro que Nolan deixou escrito nos últimos minutos de sua batsérie.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Conheça as histórias por trás da famosa foto de Albert Einstein mostrando a língua

Não há dúvida: quando o assunto é Física, Albert Einstein é o cara. Famoso pela Teoria da relatividade, o cientista descabelado faturou o Prêmio Nobel de Física em 1921, foi eleito pela Revista Time a “Personalidade do Século XX” e até ganhou um elemento na Tabela Periódica em sua homenagem, o Einstênio. Seus estudos modificaram os rumos da História ao fornecerem conhecimentos sobre energia nuclear, utilizados no desenvolvimento das bombas atômicas. Sua mais famosa foto o transformou em um ícone da cultura pop…
 Entre os biógrafos do gênio, não há um consenso. Há quem afirme que o fotógrafo Arthur Sasse, autor da imagem, teria pedido que Einstein sorrisse, no dia da comemoração do seu 72º aniversário. O gênio, irritado com a perseguição da imprensa, teria se virado e mostrado a língua rapidamente. O fotógrafo, esperto, teria aproveitado a oportunidade para entrar na história.
Há quem vá mais longe e defenda que a fotografia estaria relacionada a uma campanha anti-bomba atômica realizada durante a segunda Guerra Mundial. Segundo esta teoria, o físico pedia que as pessoas encaminhassem cartas ao governo alemão solicitando o fim dos planejamentos nucleares. Sua língua seria emprestada para “selar” as correspondências.
No livro Einstein, o reformulador do universo, o jornalista Cássio Leite Vieira afirma que o cara gostava tanto da imagem que a autografava e enviava a amigos. Qual é a sua teoria preferida?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os 3 bonecos super-realistas do Batman que você poderá comprar

Confira as imagens dos incríveis bonecos de luxo da franquia que já estão em pré-venda na internet.

Bonecos possuem diferentes feições e acessórios que podem ser trocados


 No embalo do novo “Batman — o Cavaleiro das Trevas Ressurge” (que chegará ainda neste mês nos cinemas brasileiros), a Hot Toys apresentou os seus bonecos super-realistas de três personagens da franquia: Batman, Coringa e Jim Gordon.

Famosa por criar bonecos ricos em detalhes, a Hot Toys disponibiliza as figuras de luxo (que possuem uma escala aproximada de 1:6) com várias peças trocáveis — detalhe que permite mudar as feições dos bonecos e as armas utilizadas por eles.
Além dos personagens, a empresa ainda disponibiliza o Batpod e o novo veículo voador The Bat, que são vendidos separadamente. Os bonecos já estão em pré-venda em sites estrangeiros, custando cerca de 250 dólares.
Veja mais detalhes desses bonecos super-realistas nas imagens:
Fonte: Hot Toys